sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Monólogo do pós-morte.

Estou a morrer? Será que isto é a morte? E porque morri? Não interessa... Morri... Como será que morri? Será que fui chorado? Quem era eu? Como seria a minha vida? Apenas me lembro de pensar em morrer... Lembro-me de pensar na morte... Ela era uma ideia que me assustava... Mas que me atraía... Pensava “Eu gostava de morrer, não deixo nada na vida e também não perco nada com a morte... Para além disso, posso ter uma vida melhor depois da morte...” Mas não é assim tão simples... É preciso viver para morrer... Pois a morte chega a nós, quando estamos felizes e não o contrário... E se não vivermos nunca assim estaremos e nunca morreremos... Ter vida é um milagre e a morte é natural... Muitas vezes, morremos tentando proteger o nosso milagre... Mas, muitas outras, morremos protegendo outro milagre... Não sei como morri... Gostava de poder afirmar que morri protegendo o milagre de outrem... Não sei... O medo controla a vontade de viver... Mas mesmo aqueles que não têm medo de morrer, não o fazem pois apenas o fariam para proteger alguém... Gostaria de viver... Mas cada um apenas tem direito a um milagre... haverá algo mais para além deste vazio? Suponho que não... Porque haveria de haver? Como já disse na vida apenas temos direito a um milagre... Há pessoas que têm o direito a dois, por vezes... O amor leva alguém a abdicar do seu milagre... Ainda há quem esteja descontente com o seu milagre e destrua milhares de outros... Não sei quem sou... posso ter sido um dos três... Mas porquê tantos “porquês”? Vivi e morri... Nada mais importa... Fiz o que fiz e morri... Mas não interessa agora ter perdido a vida... Também é irrelevante se a vou voltar a ter... Apenas interessa agora que vou descansar... Morri...

Este texto que acabaram de ler é de Henrique, o Figueiredo (2008/2009).


5 comentários:

  1. não tem nada de errado dois homens tocarem-se abraçarem-se, a imagem mostra mesmo isso porque as pessoas pensam logo que são um deles e não são!

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